12/02/2018

Como flor robusta sobre folhas verdes







aliado
ao linguajar correto das descobertas
sempre mantive uma cadeira vazia e
o interior aberto
ao sol que ilumina os recantos
esquecidos da memória
para que sempre possa sentar -me  
serenamente
à mesa com os meus
e as vezes me deter 
em um dia qualquer
dos anos da minha vida
só para ter de volta 
a brisa dos amores
que tanto sei e
os medos que nunca tive
e como flor robusta 
sobre folhas verdes
dizer:

é bom estar em casa 
outra vez ...



Salete



03/02/2018

Não sei







não sei porque
mas
o verão aconteceu
de não maturar a tempo
as uvas carnudas
na boca 
rosa das intenções

não sei se pelo
brado de uma ignorada  
sede ancestral no princípio 
dos nós desatados 
de nós 

ou se
pela velha embarcação 
que nos vai ao longe
rangendo um riso extenuado
sem tempo
de buscar outra direção

não sei ...



Salete


26/01/2018

Também em nós habita um sol







sim
eu percebo
e sei que
tal como no verão 
também em nós habita um sol
que faz bater mais rápido
o coração do poema
e dele saltem
ruas cheias de luzes
parques apinhados de gente
flores líricas isentas dos
escuros itinerários do medo
mas 
regresso sempre feliz 
ao meu corpo 
quando a quietude das sombras 
me devolve 
a luz coada dos meus
pequenos dramas inocentes 
como se por alguns minutos
de fato
o sol me pertencesse



Salete






18/01/2018

As pedras sérias do caminho










agarram -se a mim 
as pedras sérias do caminho
pois basta um olhar
para que se desmontem inteiras

querem -se em mil pedaços
grãos de areia felizes seguindo o 
próprio destino

mas 
testemunhas dos meus olhos
de avalanches
conservai os meus pés intactos
da comédia dos seus deslizes
quando por elas passarem

que eu pertenço a outra
tribo

pertenço a outra tribo


Salete




05/01/2018

Devaneios











não são âncoras
os meus dedos
nem é meu esse 
par de asas

nos devaneios 
do olhar descoberto 
ao primeiro sinal do dia
convém dizer que
as mãos não se tocam

se liquidificam na distância
ao mínimo tremor de pele
que principia
na correnteza do sangue
e nas costelas da lucidez
se desfazem

assim 
como se fosse chão
a pedra mais dura

assim
como se fosse chuva
a lágrima furtiva 
que cai
sobre a inabalável
pulsação da vida



salete