sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Dezembro



Isa bela



quando dezembro chegou
trazendo nos braços
um deus menino
empapuçado das pequenas ilusões
sem os azuis dos dias claros
e os pássaros das desventuras no olhar  
é que pudemos perceber 
a pele tatuada de vazios
dos que inventavam flores
rubras irreais

não se leva ao cabo
o que não se constrói 
com o suor das mãos
dizia mamãe

já agora
como apátridas em combustão  
fenecemos todos nus
pelos beirais
de um país que não é nação 

renasceremos?   



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

....






é sempre breve
o tempo de colher
eternidades

longínquo é o instante
de se ajustar
aos ponteiros voláteis
nesse mosaico
de ilusões

dos teus lábios
[chama de inenarráveis
intenções]
acolho o que me acolhe
na contramão dos afetos
e sobretudo
a negritude desse chão
onde agora
estendo um alfarrábio
de timbres e estrelas
para que nele eu adivinhe
a luz percorrendo -me os horizontes
pontuando o tempo
com inabalável exatidão






segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Deixa -me








deixa que eu me perca
no enlevo desse dilema
essa vontade de ir
desacompanhada
da vontade de chegar

quase barítona
gosto de ser a mesma nos desvarios
de quem aguarda do outro lado
quem nunca chega
corroído que está
pelo mel e o fel
dos movimentos
que não sobreviveram
ao caminho

pois então
deixa -me andar em círculos
deixa -me polir nas arestas
de uma promessa
a vida