6.30.2017

À luz mínima








à luz mínima
éramos um caudal em movimento
a absorver
a silhueta invertebrada do dia
como se fôssemos
o último gole de vinho
e no entanto
a garganta sempre em estio
a suscitar a dúvida
a quem nela depositasse
um coração sem recusas
um quase deleite no
quotidiano rumo a uma
constelação de estrelas
uma noite sem planície
repara
éramos bons
em buscar dádivas
onde ninguém mais as via









6.06.2017

O fio da memória







nem sempre os dias
foram essa solidão de ilhas
acorrentando ao coração
açucenas e estrelas
ante a violação
do mar
mas eis -me outra vez
a reconstruir
paredes e arestas
onde me caiba
a ternura dos gestos
ou
o contraponto de uma
história que valha
o fio da memória


Salete