9.12.2017

Quando





quando à sombra
das mangueiras de minha infância
eu regresso
não penso na inocência perdida
a espera que a tempestade cesse
penso nos espaços abertos
na vibração do sangue
que pulsa gota a gota eternidades
no azul inacabado do meu olhar
no aroma das frutas maduras que caem
com a agitada aragem
dos dias encobertos
e assim
com a boca cheia
as cores surgem tão imperturbáveis
que julgo ser doce o caminho
mesmo quando feito de pedras


Salete



11 comentários:

Eros disse...

É como se todos os sentidos não se encontrassem amordaçados... justamente!

Jaime Portela disse...

A aridez do caminho depende bastante do nosso estado interior.
Excelente poema, gostei muito.
Bom fim de semana, amiga Salete.
Beijo.

Mariazita disse...

Olá, Salete
Peço imensa desculpa por só agora aparecer para agradecer sua presença na minha CASA mas, como sabe, fui de férias, e quando seu comentário chegou eu já estava ausente...
Gostei muito de seu espaço, e voltarei sempre que possível.
Já me fiz sua seguidora para não lhe perder o rumo...

O seu texto poético é muito bonito, ainda que impregnado de nostalgia.
A alma dos poetas é assim - deixa sempre transparecer o que sente...

Publiquei novo post. Lá espero por si, desejando que lhe agrade...

Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, o poema é sentido e maravilhoso, saudades que ficam, são as sombras coloridas e cinzentas que marcam.
Feliz semana,
AG

Maria Rodrigues disse...

As doces recordações da infância ajudam a amenizar as amarguras da vida.
Maravilhoso poema.
Boa semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

São disse...

Um excelente poema, que muito me agradou.

E , sim, que tenhamos sempre a força de enfrenatr as dificuldades.

Beijos

São disse...

Enfrentar, claro

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Tua saudade da infância
Sob a frondosa mangueira
É uma suposta maneira
De reviver à distância

O belo da vida e em ânsia
Querer voltar à primeira
Sensação de vida inteira
À frente em doce fragrância.

A infância é uma fase linda,
Sensação de estar ainda
Nela, é sonho risonho.

Por isso mesmo, não cinda
Aquela fase em berlinda
Mesmo que se viva em sonho.

Grande abraço. Laerte.

Maria Glória disse...

Salete, olá!
Estas tuas linhas, me levaram para a infância, que além das delícias aprontadas, não posso deixar de lembrar das delícias do paladar, nos finais de tarde. E que agora, permanecem em sonhos, na memórias, mas com a certeza de terem sido bem aproveitadas.
Bonito querida! Por aqui, sempre belezas e delicadezas no ar.
Beijinhos :))

CÉU disse...

E quem não sente saudades da infância? Qdo pensamos nessa fase etária, voltamos a ser crianças com cheiros, sabores, mimos e ingenuidade, mesmo que na fase adulta as pedras nos firam o corpo e a alma.

Beijos, querida Salete!

Jaime Portela disse...

Vim à procura de mais...
Mas gostei de reler o teu magnífico poema.
Bom fim de semana, amiga Salete.
Beijo.